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Dr. Furlan
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Inverno e o Coração
 
   
O IMPACTO DO CLIMA FRIO NA SAÚDE CARDIOVASCULAR

Há pelo menos 50 anos, especialistas em todo o mundo observam o aumento da mortalidade por doença cardiovascular durante o inverno.  A relação entre óbitos e fatores meteorológicos, inclusive com a 
poluição atmosférica, é acompanhada em diversas cidades do mundo. Em São Paulo, estudos de Rodolfo Sharovsky e Luiz Antonio Machado César, diretor do 
Departamento de Doenças Coronárias do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP e vice-presidente da SOCESP, são exemplos. 
Uma de suas pesquisas mostra que, em temperaturas mais frias, de médias diárias abaixo de 14 ºC, ocorre um aumento de até 30% nos casos de morte por infarto do miocárdio. O clima frio desencadeia também outras doenças cardiovasculares, como acidente vascular cerebral, angina e arritmias cardíacas, que têm a poluição atmosférica como outro dos agentes responsáveis. Pessoas que apresentam colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes, tabagistas e 
idosos são as mais vulneráveis.  “A capital paulista contém a terceira maior população do mundo. Oferece uma oportunidade singular para um estudo deste porte, explorando o papel do ambiente na mortalidade coronária, diferentemente do clima e combinação de fontes de poluição da América do Norte e Europa, por exemplo. Este tipo de estudo contribui para a compreensão destes fatores e abre perspectivas para as intervenções preventivas e 
terapêuticas”, comenta Luiz Antonio.
A exposição intensiva ao frio pode acarretar o aumento da pressão sanguínea, enquanto que os níveis de poluição afetam a variabilidade da frequência cardíaca, podendo causar arritmias. Alguns pesquisadores atribuem esse efeito ao número 
de horas de sol, no inverno e no verão, porém, as temperaturas elevadas também são responsáveis por alterações fisiológicas, como um aumento da viscosidade sanguínea pela desidratação e do débito cardíaco, levando à hipotensão e aumento do trabalho cardíaco. Outro fator que merece atenção é a variação súbita da temperatura. Conhecido como choque térmico, a transição de um ambiente muito aquecido para um lugar mais frio pode desencadear alterações cardíacas. A poluição também é agravante, 
pois o sistema de defesa do organismo se reduz pela presença das partículas poluentes nas vias respiratórias e pulmão, tornando-o mais suscetível a infecções. 
“A taxa de mortalidade durante o inverno sempre foi superior – cerca de 50% a mais – e, no verão, mais baixa do que nas outras estações do ano, independentemente da idade e sexo. Os mecanismos envolvidos nesse fenômeno não são ainda claramente entendidos, no entanto, diversos autores atribuem o aumento da mortalidade nos dias frios principalmente 
à redução das temperaturas.” O cardiologista Luiz Antonio ressalta também em seus estudos que são necessárias novas investigações para melhor compreensão do papel desempenhado pelo meio ambiente, especialmente de fatores como a temperatura e as infecções respiratórias na gênese do infarto agudo do miocárdio. Alguns mecanismos 
têm sido elucidados, como uma espécie de reação em cadeia. No caso de uma infecção, o organismo fica em maior estado de inflamação, e isso piora a inflamação 
das placas de aterosclerose, o que leva a maiores riscos de haver rupturas e infarto do miocárdio. Tanto que, ao se vacinar contra a gripe sazonal no outono, reduz-se a taxa de infarto do miocárdio no inverno, 
especialmente nos idosos. “Ao sentir o frio, os receptores nervosos da pele estimulam a liberação de 
adrenalina e noradrelina, sendo este último o hormônio responsável por contrair os vasos sanguíneos. Com o consequente estreitamento dos canais de circulação do sangue, embora não tão significativo, pode gerar rupturas de placas de gordura, no interior das artérias coronárias que irrigam o coração. Neste processo, as proteínas e plaquetas do sangue são designadas para reverter o quadro, o que aumenta a possibilidade de formar 
coágulos. Eles é que são responsáveis pelo entupimento das artérias e podem causar infarto do miocárdio.”
 
   
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